Olá, pessoal do Som Batera. É com imensa satisfação que aceito o convite do Leonardo Telles para ser colunista deste site e contribuir um pouco mais com a comunidade “baterística”!

Nessa estreia, tratarei sobre grupos ímpares (ou células ímpares, padrões ímpares, etc.). Este assunto “assombra” muita gente, mas com calma e dedicação veremos que não é tão complicado assim e que estes grupos são uma ótima ferramenta para nossa criatividade, seja na hora de executarmos grooves, fills ou solos.

Então, como usar os grupos ímpares?

A ideia é usar grupos ímpares em fills (viradas) e grooves (levadas, ritmos), tornando-os mais interessantes e criativos à medida que geramos novas acentuações e intenções rítmicas, alterando o pulso (ou pulsação) original. O assunto é muito amplo, poderíamos chegar até à tão temida modulação métrica, mas este é tópico para outros capítulos… Quem sabe, mais adiante?!

Mãos à massa! Primeiramente, prepare seu par de baquetas, praticável e metrônomo. Este trio deve acompanhá-lo por toda sua vida!!!

Agora sim, aos estudos, tocaremos os grupos de 3, 5, 7 e 9 notas em suas formas originais. Nesta primeira etapa vamos nos habituar com o baquetamento e com o feel de cada quiáltera, tocando cada grupo repetidamente por alguns minutos em um andamento confortável.

Se você não está acostumado com as quiálteras, aconselho começar bem lentamente, sem o metrônomo e, assim que adquirir confiança, implemente o metrônomo e o hi-hat (chimbal) com o pé esquerdo marcando o início de cada ciclo.

Grupos ímpares 1 - Quiálteras - Partitura de bateria
(R = Direita [Right], L = Esquerda [Left]. Inverta o baquetamento caso seja canhoto).

Tendo assimilado o passo anterior — e isto é indispensável — iremos tocar cada grupo sobre a subdivisão de semicolcheias, como mostrado a seguir (é aqui que a brincadeira começa a ficar divertida! Rs). Reparemos que, para cada grupo, precisamos de uma quantidade diferente de tempos para que o ciclo se encerre. Mera matemática.

Grupos ímpares 2 - Partitura de bateria

Vamos agora aplicar os grupos sobre o compasso 4/4 para nos acostumarmos a contar os tempos independentemente de qual grupo estivermos tocando. Isto é absolutamente importante pois, num contexto musical, precisamos saber exatamente onde estamos, ou onde a música está, ao aplicarmos as células.

Durante toda execução do exercício, conte cada tempo em voz alta.

Grupo de 3 notas
Grupos ímpares 3 - Partitura de bateria

Grupo de 5 notas
Grupos ímpares 4 - Partitura de bateria

Grupo de 7 notas
Grupos ímpares 5 - Partitura de bateria

Grupo de 9 notas
Grupos ímpares 6 - Partitura de bateria

Após estarmos seguros, levaremos os acentos para as diversas peças do set, como tons e pratos. Sugiro tocar o bumbo juntamente com os pratos, embora não seja uma obrigação.

Confira esse vídeo que preparei. Ele exemplifica melhor tudo o que estamos fazendo até agora.

Fazendo disciplinadamente todos os exercícios desta lição, desenvolveremos não somente nossas habilidades físicas, mas também nossa mente, nossa capacidade de “saber onde estamos”, pois que o que tocamos e o que contamos já não coincidem mais! Daí vem a sensação de estar “tocando outra coisa”, “em outro tempo”, o que tanto nos fascina.

Estude bastante, pois nos encontraremos aqui em breve (na parte 2) para irmos um pouco mais a fundo.

Grande abraço e… BORA CRESCEEEEERR!!!

CONTEÚDO VIP

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Felipe Aguiar
Músico profissional, atua como sideman no Rio de Janeiro, onde trabalha fazendo shows, gravações e ministrando aulas. Já dividiu o palco com nomes como Kleber Lucas, Loalwa Braz, Ludmilla e hoje ocupa a maior parte de sua agenda tocando com o cantor sertanejo João Gabriel.

9 Comentários

  1. Muito boa a matéria e também a forma de exemplificação didática.
    Boa ferramenta de estudo para bateras iniciantes e em fase intermediária.

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