Toco bateria a 25 anos e a cada dia aprendo uma novidade nesse nosso instrumento maravilhoso. Existem muitas possibilidades sonoras em cada canto, mas, hoje, trago o prato como artista principal. Estou usando um ride de 21″, Istambul, Agop, série Mel Lewis; um incrível prato e me traz cores à acrescentar nas músicas.

Primeiramente vamos entender que existem vários tipos de pratos para necessidades diferentes, então, estas são algumas ideias possíveis neste ride e em outros com as mesmas características, mas a maioria delas que mostro cabem em diversos pratos.

Vamos começar entendo que, muito da qualidade que sai do instrumento, está em “nossas mãos”; e para entender bem isso, se você segurar uma baqueta em suas mãos com pressão e tocar uma contra outra, perceberá um timbre especifico e se deixá-la bem solta e repetir a experiência, notará a grande diferença no som e é exatamente isso que muda completamente o resultado final.

Conseguindo diversas sonoridades dos pratos

Para entender, é necessário ver e ouvir, por isso, gravei o vídeo abaixo e também as anotações para acompanhar as ideias criadas neste pequeno exemplo.

A – Experiência com as baquetas: por este exemplo, perceberá que a diferença é muito grande, acontece também quando percutida nos tambores, soará muito diferente dependo da maneira tocada.

B – Tocando na região próximo a borda do prato: obtemos aquele som cheio, com total ressonância do prato, muito usual em momentos de grande volume nas músicas, refrão ou intensificando um arranjo.

C – Tocando na região mediana do prato (entre a cúpula e a borda): local de muito uso onde o prato soa equilibrado.

D – Tocando na região superior (abaixo da cúpula): local de estrema definição e na maioria das vezes com som mais agudo.

E – Cúpula: som parecido com um sino e bem definido.

F – Pressionando a baqueta com a mão, toque no prato, sentirá que o som “seca” e fica mais definido; depois deixe a baqueta solta (dentro do possível) e repita o toque alternando, com e sem pressão.

G – Tocando com o “corpo” da baqueta no prato, fica extremamente alto e fortíssimo.

H – Tocando na borda do prato, muito comum, e nesse tipo de toque o som do prato fica mais encorpado e vem com bastante grave.

I – Empurrão: Esse toque é muito útil quando precisamos de menos intensidade, mas ainda um bom crash. A dica é achar o “empurrão” certo e pode ser realizado com ou sem pressão das mãos na baqueta.

J – Esse, considero quase um efeito especial, usando uma baqueta próxima ao prato, tocamos com a outra sobre seu corpo soando um “Tra” no ataque ao prato.

K – Harmônicos: tocando bem ao lado (quina do prato), conseguimos um som incrível, onde aparecem harmônicos e soa muito bem. Outra possibilidade é tocar na cúpula com corpo da baqueta, gerando um som parecido com sino, e ai colocamos a mão logo após, em forma de concha, controlando a saída do som. Neste caso, acho melhor assistir o vídeo para ficar claro.

L – Efeito “ping”: nesse caso, usamos como toques isolados. A parte de baixo da baqueta é percutida bem na vertical, acentuando pontos do prato.

Efeitos especiais

Aqui são alguns “truques” que possibilitam outros sons, desde apoiar o braço todo, abafando, a usar o prato como um tamborim. As possibilidades são muitas, e isso sem colocar nada sobre eles; e isso daria um livro bem legal.

Bem, agora é com vocês. Não acredite que sabendo estes novos sons estarão aptos a usá-los, isso ainda requer uma maturidade para entender quando e como são necessários; e fuja do efeito “circo”, não é este o objetivo aqui, ok?

Um grande abraço a todos e TJAZZ!!!

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Julio Bittencourt
É formado pela Universidade Livre de Música Tom Jobim e diretor do Instituto Musical Bittencourt (IMB). Estudou com grandes bateristas como: John Riley, Zé Eduardo Nazário, Duda Neves e Toniquinho. Atualmente é endorsee das marcas Gretsch e Drum Pads.

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